Produção de mel cresce 346% no Ceará com destaque para Jaguaruana e Palhano

 



A apicultura cearense atravessa um dos momentos mais expressivos de sua trajetória. Entre 2015 e 2024, a produção de mel no estado cresceu 346%, saltando de 1,36 milhão para 6,06 milhões de quilos, conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o avanço, o Ceará passou da oitava para a sexta posição entre os maiores produtores do país.

Entre os destaques desse crescimento estão os municípios de Jaguaruana e Palhano, que registraram alguns dos maiores índices de expansão da atividade no estado. Em Jaguaruana, a produção aumentou 4.361% no período analisado, enquanto Palhano apresentou crescimento de 4.308%, números que demonstram o potencial da apicultura como fonte de renda e desenvolvimento no interior cearense.

O desempenho do setor é atribuído à combinação de investimentos em tecnologia, acesso ao crédito rural, assistência técnica e valorização do produto no mercado internacional. Além disso, a boa adaptação da atividade às condições climáticas do semiárido tem favorecido a expansão da cadeia produtiva em diversas regiões do Ceará.

Para o presidente da Federação Cearense de Apicultores (Fecap), Joventino Neto, a participação do Ceará no ranking nacional pode ser ainda maior. Segundo ele, cerca de 80% da produção estadual é escoada por meio de entrepostos localizados no Piauí, o que acaba transferindo parte dos registros para o estado vizinho.

O município de Santana do Cariri lidera a produção cearense, respondendo por 15,5% do total estadual, com aproximadamente 940 mil quilos produzidos em 2024. O resultado é atribuído à forte organização dos produtores por meio de cooperativas e associações, além da valorização do mel de aroeira, reconhecido nacional e internacionalmente pela qualidade.

Apesar dos resultados positivos, o setor ainda enfrenta desafios. A recente restrição imposta pela União Europeia ao mel brasileiro gera preocupação entre os produtores, embora os impactos diretos sobre o Ceará sejam limitados. Como estratégia para ampliar mercados e reduzir a dependência de compradores europeus e norte-americanos, as cooperativas buscam expandir as exportações para novos destinos, com destaque para o Japão.

Outro problema apontado pela Fecap é a redução da produção em alguns municípios, situação associada principalmente ao uso inadequado de defensivos agrícolas. Segundo a entidade, a pulverização aérea realizada durante o período de atividade das abelhas tem provocado perdas de enxames e comprometido a produtividade em determinadas regiões.

Para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva, o setor aposta na implantação de uma central de cooperativas em Maracanaú. O empreendimento permitirá a exportação direta pelo Ceará, reduzindo custos logísticos, ampliando a competitividade e garantindo maior participação do estado no mercado internacional. Além do mel, os produtores também investem em produtos de maior valor agregado, como própolis, pólen, geleia real e apitoxina, ampliando as oportunidades de geração de renda no campo.

 (Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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